Fomos desagradavelmente surpreendidos com o anúncio do despedimento de 500 trabalhadores que trabalham na Fábrica de componentes de automóveis Delphi sediada nesta cidade da Guarda. Desejamos, antes de mais, manifestar a nossa total solidariedade para com os atingidos por este flagelo, que vai fazer sofrer mais de metade dos trabalhadores da referida fábrica Delphi.

 

Com esta solidariedade vai a vontade de ajudarmos, através dos vários organismos diocesanos, a minorar o sofrimento destas 500 famílias que vivem dos salários auferidos nesta empresa. Para isso, vamos criar, de imediato, um serviço de atendimento ligado à Caritas Diocesana para avaliar as situações e procurar soluções personalizadas. E por que não consideramos este um problema pontual nem somente fruto da crise global, mas relacionado com o abandono sistemático das nossas terras e dos nossos meios pela administração pública centralizada, desejamos também dizer às autoridades constituídas que este drama atinge 500 famílias ligadas aos trabalhadores que vão para o desemprego, mas atinge também toda a nossa cidade e a nossa região, que é uma região interior onde novas empresas não têm incentivos para se fixarem e as existentes vão sendo progressivamente desactivadas, sem que nada se faça para contrariar esta tendência.

 

Os desempregados vão certamente contar com os apoios habituais previstos para situações como esta, sobretudo do subsídio de desemprego.

Mas nós julgamos que isso é pouco. Julgamos ser necessário criar, de imediato, condições objectivas e visíveis para que os desempregados possam retomar, de novo, o seu emprego, a curto prazo.

 

Precisamos de começar a ver que, de facto, são orientados para a nossa cidade e a nossa região meios materiais que existem e que, de facto, estão a ser desviados para outras zonas. Isto para que o tecido empresarial da Guarda não fique reduzido a zero, apesar dos investimentos recentemente feitos num bom parque industrial que possuímos e que infelizmente continua muito despovoado de empresas. As nossas gentes começam a ficar cansadas de esperar.

 

Os 500 desempregados precisam de ter garantias fundadas de que, o mais tardar, acabado o período previsto para beneficiarem do fundo de desemprego, terão, de novo, acesso ao trabalho. E alguns, se forem ajudados com justiça poderão mesmo criar o seu próprio emprego.

 

Guarda, 23 de Outubro de 2009

 

+Manuel R. Felício, Bispo da Guarda

publicado por dioceseguardacsociais às 12:07