Assembleia Diocesana do Clero com elevada participação

Bispo da Guarda desafia os Padres a serem Padres

 

“Queremos ser padres, só padres, cada vez mais padres à semelhança de Jesus Cristo” foi o desafio lançado por D. Manuel Felício aos padres da Guarda, na abertura dos trabalhos da Assembleia Diocesana do Clero que, desde esta manhã, está a decorrer no Seminário Maior da Guarda. Perante mais de uma centena de participantes, o Bispo da Guarda acrescentou: “Queremos ser padres com a responsabilidade histórica de dar à igreja padres que continuem a missão de anunciar Jesus Cristo”.  

O primeiro dia da Assembleia foi dedicado aos temas: “As estruturas Diocesanas: análise e remodelação”; “As dificuldades da vida sacerdotal hoje”; e “Comunhão no Presbitério e nova Evangelização”.

O Cónego Pereira de Matos fez a introdução ao primeiro tema apresentando as estruturas territoriais (diocese, zonas pastorais, arciprestados, paróquias e unidades pastorais), institucionais (cúria diocesana, administração diocesana, tribunal eclesiástico, cabido, seminário s e pré-seminário, institutos de vida consagrada, escola teológica de leigos, escola de música sacra, diaconado permanente, misericórdias, irmandades, fundações e institutos de solidariedade, centros pastorais diocesanos, centros paroquiais) e pastorais (conselho presbiteral, conselho pastoral diocesano, conselho pastoral paroquial, secretariados, departamentos, comissões diocesanas, capelanias, associações de fiéis, movimentos e obras).

Na análise a este tema, o padre Gilberto Antunes propôs a criação de um Secretariado Diocesano do Clero e adiantou que “um padre para acompanhar os sacerdotes tem de estar liberto de algumas actividades”.

O padre Carlos Dionísio questionou a existência paralela de zonas pastorais e arciprestados e sugeriu a remodelação do actual sistema de paróquias, levantando também a questão sobre a maneira de funcionamento do Seminário Maior. O mesmo assunto haveria de ser retomado pelo Padre Carlos Lourenço, durante o tempo das intervenções livres.

Sobre o funcionamento das estruturas, o padre António Morais perguntou para que servem, ou se “são apenas para cumprir calendário”.

No entender do padre Jorge Castela deveria haver um maior apoio financeiro às actividades pastorais.

 

As dificuldades da vida sacerdotal hoje

 

A apresentação deste tema esteve ao cuidado do padre Sérgio Duarte. De forma resumida apontou algumas das críticas que, actualmente, são feitas, com mais frequência, nomeadamente: Evangelização e pregação antiquada; linguagem repetitiva; a existência de tabus na igreja (casamento dos padres, celibato, sexualidade, homossexualidade e pedofilia); má distribuição do clero; menosprezo pelas normas morais ditadas pela Igreja; a falta de frontalidade e diálogo.   

Perante as dificuldades apontou, a necessidade imperiosa urgente de uma tripla reforma: uma reforma teológica e catequética, para repensar a fé e reformulá-la de modo coerente; reforma pastoral, para repensar as estruturas caducas do passado; reforma espiritual, para revitalizar a mística e repensar os sacramentos com vista a articulá-los com a vida.

Entre as propostas apresentadas destacam-se as seguintes: mudança de mentalidades, maior atenção à mudança dos tempos; menos missas e mais catequese de adultos; formação de leigos; mais importância à cultura do povo; cultura de diálogo franco e aberto a todos os problemas do mundo actual; meditação contemplação antes da acção; envolvimento responsável dos jovens nas actividades da paróquia; maior atenção à formação das famílias.

Na abordagem a este tema, tanto o padre António Coelho como o padre Mendes Ardérios defenderam a necessidade de uma Assembleia do Povo de Deus. Esta ideia seria também partilhada pelo padre Sampaio, para quem seria importante saber “ouvir a sociedade de hoje”.

O Padre Moiteiro Ramos adiantou que as dificuldades sentidas na Diocese da Guarda são as mesmas do resto do País, apontando mesmo a iniciativa que está a decorrer a nível nacional com elementos de todas as diocese e que tem por lema “Repensar a Pastoral em Portugal”. E acrescentou: “Nós padres não podemos continuar a fazer o que fazíamos antes, mas temos de fazer algo de novo”.

A má distribuição do clero e a necessidade de dar condições para a criação de unidades pastorais foram assuntos que mereceram um reparo da parte do padre Gilberto Antunes.

O Padre Carlos Lages fez uma análise aos motivos que levaram, nas últimas décadas, algumas dezenas de padres, da Diocese da Guarda, a abandonar o sacerdócio.

 

Comunhão no Presbitério e nova Evangelização

 

“A comunhão no Presbitério e nova evangelização” foi o tema apresentado pelo padre Alfredo Neves.

Este assunto acabaria por motivar várias intervenções apontando para a necessidade de valorizar a solidariedade entre todos os membros do presbitério.

A tarde terminou com intervenções livres dos padres Carlos Lourenço, João Carvalho Nunes e António Carlos Gonçalves.

Os trabalhos continuam amanhã, 29 de Abril, a partir das 9.30 horas.

publicado por dioceseguardacsociais às 23:44