Mensagem de Bento XVI para o 47.º Dia Mundial das Comunicações Sociais

24.01.13

 

Redes Sociais: portais de verdade e de fé; novos espaços de evangelização

 

 

Amados irmãos e irmãs,

Encontrando-se próximo o Dia Mundial das Comunicações Sociais de 2013, desejo oferecer-vos algumas reflexões sobre uma realidade cada vez mais importante que diz respeito à maneira como as pessoas comunicam actualmente entre si; concretamente quero deter-me a considerar o desenvolvimento das redes sociais digitais que estão a contribuir para a aparição duma nova ágora, duma praça pública e aberta onde as pessoas partilham ideias, informações, opiniões e podem ainda ganhar vida novas relações e formas de comunidade.

Estes espaços, quando bem e equilibradamente valorizados, contribuem para favorecer formas de diálogo e debate que, se realizadas com respeito e cuidado pela privacidade, com responsabilidade e empenho pela verdade, podem reforçar os laços de unidade entre as pessoas e promover eficazmente a harmonia da família humana. A troca de informações pode transformar-se numa verdadeira comunicação, os contactos podem amadurecer em amizade, as conexões podem facilitar a comunhão. Se as redes sociais são chamadas a concretizar este grande potencial, as pessoas que nelas participam devem esforçar-se por serem autênticas, porque nestes espaços não se partilham apenas ideias e informações, mas em última instância a pessoa comunica-se a si mesma.

O desenvolvimento das redes sociais requer dedicação: as pessoas envolvem-se nelas para construir relações e encontrar amizade, buscar respostas para as suas questões, divertir-se, mas também para ser estimuladas intelectualmente e partilhar competências e conhecimentos. Assim as redes sociais tornam-se cada vez mais parte do próprio tecido da sociedade enquanto unem as pessoas na base destas necessidades fundamentais. Por isso, as redes sociais são alimentadas por aspirações radicadas no coração do homem.

A cultura das redes sociais e as mudanças nas formas e estilos da comunicação colocam sérios desafios àqueles que querem falar de verdades e valores. Muitas vezes, como acontece também com outros meios de comunicação social, o significado e a eficácia das diferentes formas de expressão parecem determinados mais pela sua popularidade do que pela sua importância intrínseca e validade. E frequentemente a popularidade está mais ligada com a celebridade ou com estratégias de persuasão do que com a lógica da argumentação. Às vezes, a voz discreta da razão pode ser abafada pelo rumor de excessivas informações, e não consegue atrair a atenção que, ao contrário, é dada a quantos se expressam de forma mais persuasiva. Por conseguinte os meios de comunicação social precisam do compromisso de todos aqueles que estão cientes do valor do diálogo, do debate fundamentado, da argumentação lógica; precisam de pessoas que procurem cultivar formas de discurso e expressão que façam apelo às aspirações mais nobres de quem está envolvido no processo de comunicação. Tal diálogo e debate podem florescer e crescer mesmo quando se conversa e toma a sério aqueles que têm ideias diferentes das nossas. «Constatada a diversidade cultural, é preciso fazer com que as pessoas não só aceitem a existência da cultura do outro, mas aspirem também a receber um enriquecimento da mesma e a dar-lhe aquilo que se possui de bem, de verdade e de beleza» (Discurso no Encontro com o mundo da cultura, Belém, Lisboa, 12 de Maio de 2010).

O desafio, que as redes sociais têm de enfrentar, é o de serem verdadeiramente abrangentes: então beneficiarão da plena participação dos fiéis que desejam partilhar a Mensagem de Jesus e os valores da dignidade humana que a sua doutrina promove. Na realidade, os fiéis dão-se conta cada vez mais de que, se a Boa Nova não for dada a conhecer também no ambiente digital, poderá ficar fora do alcance da experiência de muitos que consideram importante este espaço existencial. O ambiente digital não é um mundo paralelo ou puramente virtual, mas faz parte da realidade quotidiana de muitas pessoas, especialmente dos mais jovens. As redes sociais são o fruto da interacção humana, mas, por sua vez, dão formas novas às dinâmicas da comunicação que cria relações: por isso uma solícita compreensão por este ambiente é o pré-requisito para uma presença significativa dentro do mesmo.

A capacidade de utilizar as novas linguagens requer-se não tanto para estar em sintonia com os tempos, como sobretudo para permitir que a riqueza infinita do Evangelho encontre formas de expressão que sejam capazes de alcançar a mente e o coração de todos. No ambiente digital, a palavra escrita aparece muitas vezes acompanhada por imagens e sons. Uma comunicação eficaz, como as parábolas de Jesus, necessita do envolvimento da imaginação e da sensibilidade afectiva daqueles que queremos convidar para um encontro com o mistério do amor de Deus. Aliás sabemos que a tradição cristã sempre foi rica de sinais e símbolos: penso, por exemplo, na cruz, nos ícones, nas imagens da Virgem Maria, no presépio, nos vitrais e nos quadros das igrejas. Uma parte consistente do património artístico da humanidade foi realizado por artistas e músicos que procuraram exprimir as verdades da fé.

A autenticidade dos fiéis, nas redes sociais, é posta em evidência pela partilha da fonte profunda da sua esperança e da sua alegria: a fé em Deus, rico de misericórdia e amor, revelado em Jesus Cristo. Tal partilha consiste não apenas na expressão de fé explícita, mas também no testemunho, isto é, no modo como se comunicam «escolhas, preferências, juízos que sejam profundamente coerentes com o Evangelho, mesmo quando não se fala explicitamente dele» (Mensagem para o Dia Mundial das Comunicações Sociais de 2011). Um modo particularmente significativo de dar testemunho é a vontade de se doar a si mesmo aos outros através da disponibilidade para se deixar envolver, pacientemente e com respeito, nas suas questões e nas suas dúvidas, no caminho de busca da verdade e do sentido da existência humana. A aparição nas redes sociais do diálogo acerca da fé e do acreditar confirma a importância e a relevância da religião no debate público e social.

Para aqueles que acolheram de coração aberto o dom da fé, a resposta mais radical às questões do homem sobre o amor, a verdade e o sentido da vida – questões estas que não estão de modo algum ausentes das redes sociais – encontra-se na pessoa de Jesus Cristo. É natural que a pessoa que possui a fé deseje, com respeito e tacto, partilhá-la com aqueles que encontra no ambiente digital. Entretanto, se a nossa partilha do Evangelho é capaz de dar bons frutos, fá-lo em última análise pela força que a própria Palavra de Deus tem de tocar os corações, e não tanto por qualquer esforço nosso. A confiança no poder da acção de Deus deve ser sempre superior a toda e qualquer segurança que possamos colocar na utilização dos recursos humanos. Mesmo no ambiente digital, onde é fácil que se ergam vozes de tons demasiado acesos e conflituosos e onde, por vezes, há o risco de que o sensacionalismo prevaleça, somos chamados a um cuidadoso discernimento. A propósito, recordemo-nos de que Elias reconheceu a voz de Deus não no vento impetuoso e forte, nem no tremor de terra ou no fogo, mas no «murmúrio de uma brisa suave» (1 Rs 19, 11-12). Devemos confiar no facto de que os anseios fundamentais que a pessoa humana tem de amar e ser amada, de encontrar um significado e verdade que o próprio Deus colocou no coração do ser humano, permanecem também nos homens e mulheres do nosso tempo abertos, sempre e em todo o caso, para aquilo que o Beato Cardeal Newman chamava a «luz gentil» da fé.

As redes sociais, para além de instrumento de evangelização, podem ser um factor de desenvolvimento humano. Por exemplo, em alguns contextos geográficos e culturais onde os cristãos se sentem isolados, as redes sociais podem reforçar o sentido da sua unidade efectiva com a comunidade universal dos fiéis. As redes facilitam a partilha dos recursos espirituais e litúrgicos, tornando as pessoas capazes de rezar com um revigorado sentido de proximidade àqueles que professam a sua fé. O envolvimento autêntico e interactivo com as questões e as dúvidas daqueles que estão longe da fé, deve-nos fazer sentir a necessidade de alimentar, através da oração e da reflexão, a nossa fé na presença de Deus e também a nossa caridade operante: «Ainda que eu fale as línguas dos homens e dos anjos, se não tiver amor, sou como um bronze que soa ou um címbalo que retine» (1 Cor 13, 1).

No ambiente digital, existem redes sociais que oferecem ao homem actual oportunidades de oração, meditação ou partilha da Palavra de Deus. Mas estas redes podem também abrir as portas a outras dimensões da fé. Na realidade, muitas pessoas estão a descobrir – graças precisamente a um contacto inicial feito on line – a importância do encontro directo, de experiências de comunidade ou mesmo de peregrinação, que são elementos sempre importantes no caminho da fé. Procurando tornar o Evangelho presente no ambiente digital, podemos convidar as pessoas a viverem encontros de oração ou celebrações litúrgicas em lugares concretos como igrejas ou capelas. Não deveria haver falta de coerência ou unidade entre a expressão da nossa fé e o nosso testemunho do Evangelho na realidade onde somos chamados a viver, seja ela física ou digital. Sempre e de qualquer modo que nos encontremos com os outros, somos chamados a dar a conhecer o amor de Deus até aos confins da terra.

Enquanto de coração vos abençoo a todos, peço ao Espírito de Deus que sempre vos acompanhe e ilumine para poderdes ser verdadeiramente arautos e testemunhas do Evangelho. «Ide pelo mundo inteiro, proclamai o Evangelho a toda a criatura» (Mc 16, 15).

 

 Vaticano, 24 de Janeiro – Festa de São Francisco de Sales – do ano 2013.

publicado por dioceseguardacsociais às 19:21

Liga dos Servos de Jesus envia dois novos elementos para Angola

23.01.13

Escola da Comunidade de Kilenda vai abrir em Fevereiro

Liga dos Servos de Jesus envia dois novos elementos para Angola

 

A Liga dos Servos de Jesus, que, desde 11 de agosto de 2008, tem uma comunidade de irmãs em Angola, envia, esta quarta-feira, 23 de Janeiro, mais dois elementos para reforçar a equipa. Isabel Varandas, como Voluntária e Céu Vale, membro em formação na Liga, partem para apoiar e fortalecer a obra que está a dar os primeiros passos em terra de missão.

A comunidade situa-se na Kilenda, Diocese do Sumbe, e prepara-se para abrir uma escola, em Fevereiro, uma vez que é nessa altura que tem início o ano lectivo, em Angola.

Neste primeiro ano, a escola funcionará a título de experiência, com crianças a partir dos cinco anos. Prevê-se um total de 400 crianças, divididas em dois turnos, com cerca de duzentas cada. Isabel Varandas e Céu Vale, em colaboração com as irmãs da comunidade, vão dar o seu contributo na organização da referida escola, que vai ser orientada pelo Ministério da Educação local (MED), cujo Ministro é Pinda Simão, ao qual cabe a escolha e colocação, na escola, do pessoal docente e pessoal auxiliar. Os currículos a cumprir serão os definidos pelo referido Ministério.

Além desta colaboração, os dois elementos que a Liga ora envia para Angola irão ainda dedicar muito do seu tempo à formação contínua de todo o pessoal colocado na escola, uma vez que são detentoras de formação profissional adequada para o efeito.

Maria da Graça, Coordenadora Geral da Liga dos Servos de Jesus adiantou ao Jornal A GUARDA que “essa formação vai ser embebida dos valores e princípios que a Liga defende e pretende transmitir, o que, pensamos, vai imprimir a todo o trabalho um objectivo específico: formar para os valores”.

É também intenção da Liga, e de acordo com as autoridades locais, desenvolver, em Kilenda, um Projecto de Alfabetização de jovens e adultos, os quais, em tempo oportuno, não puderam cumprir a escolaridade a que têm direito, pela Lei de Bases do Sistema de Educação, Lei 13/01, de 31 de Dezembro, que assegura a obrigatoriedade e gratuidade do ensino Primário.

Na ida para Angola, Isabel varandas e Céu Vale, vão acompanhadas, ainda que por um período curto de tempo, do Vigário Geral, Cónego Manuel Matos, que irá fazer formação na Comunidade da Kilenda, nas áreas da família, catequese, Liturgia e acção social.

 

publicado por dioceseguardacsociais às 09:36

Agenda episcopal de D. Manuel Felício

23.01.13

De 27 de Janeiro a 2 de Fevereiro, D. Manuel Felício, Bispo da Guarda, participa nas seguintes iniciativas:

Dia 27, domingo: 11.00 horas – Na Paróquia de Erada (50 anos de dedicação da Igreja Paroquial); 14.30 horas – No Sabugal para presidir a Jornada Arciprestal da Fé.

Dia 29: às 10.30 horas – Nas instalações do Seminário Maior, encontro com sacerdotes do arciprestado da Guarda; Às 21.00 horas – Em Almendra, encontro com cooperadores pastorais do Padre António Espinha Monteiro.

Dia 30: às 10.30 horas – Nas instalações do Seminário do Fundão, encontro com sacerdotes do arciprestado do Fundão; Às 21.00 horas – na Vermiosa, encontro com cooperadores pastorais do Padre João Rui Carrola Antunes.

Dia 2.2: às 9.30 horas – No Seminário Maior, encontro sobre o dia dos consagrados (CIRP); 11.00 horas – Na Sé, Bênção dos finalistas da Escola Superior de Saúde (IPG).

 

publicado por dioceseguardacsociais às 09:35

Diocese da Guarda promove Jornadas de formação do Clero

23.01.13

Iniciativa está marcada para hoje e amanhã, 23 e 24 de Janeiro

Diocese da Guarda promove Jornadas de formação do Clero

 

Apesar da neve, hoje e amanhã, 23 e 24 de Janeiro, vão decorrer, no Seminário Maior da Guarda, as Jornadas de Formação do Clero.

O programa, de hoje, começa às 10.00 horas, com Oração inicial (Hora Intermédia), seguindo-se a apresentação do tema “A árvore do Concílio Vaticano II”, por D. Manuel Linda, Bispo Auxiliar de Braga. Às 11.30 horas – intervalo; às 12.00 horas – Continuação e diálogo com o conferencista; às 13.00 horas – Almoço; às 14.30 horas – Mesa redonda sobre “A memória da 1ª recepção do Concílio Vaticano II na Diocese da Guarda, sendo intervenientes: Dr. Joaquim Esteves Saloio – então seminarista no Seminário Maior da Guarda; Dr. José Tomaz Ferreira – então da equipa formadora do Seminário Maior da Guarda; Padre Virgílio Mendes Arderius, uma memória da recepção do Concílio na Acção Católica, na nossa Diocese; e às 16.45 horas – Oração de Vésperas e fim dos trabalhos.

Amanhã, os trabalhos recomeçam às 10.00 horas – Oração inicial (Hora Intermédia). Segue-se a comunicação “O positivo da primeira recepção do Concílio na Diocese da Guarda”, dados da investigação para tese de doutoramento, pelo autor, Padre Henrique Santos; às 11.30 horas – intervalo; 12.00 horas – Continuação do diálogo com o autor; às 13.00 horas – Almoço; às 14.30 horas – projecto de retomar a recepção do Concílio na Diocese, partindo do modelo de Igreja proposto na Lumen Gentium. A)Introdução pelo Padre António Carlos Marques Gonçalves, a partir de artigos recentemente publicados na Imprensa (Jornal A GUARDA). B) Trabalho de padres e diáconos, por zona pastoral, terminando com um plenário orientado pelo Secretariado Diocesano da Coordenação Pastoral.

As jornadas terminam, às 17.00 horas, com a concelebração da Eucaristia, na Semana da Unidade, pedindo fortalecimento da unidade e da comunhão, também entre o clero da Diocese da Guarda, para levar por diante o projecto de retomar a recepção do Concílio Vaticano II

“Pretendemos que sejam a oportunidade para os nossos sacerdotes e diáconos revisitarem o Concílio Vaticano II, fazerem memória do que foi a sua primeira recepção na nossa Diocese e prepararem o esforço para uma segunda recepção do mesmo Concílio nas nossas comunidades, durante os próximos anos. Vivemos a convicção de que o modelo de Igreja proposto pelo Vaticano II, na medida em que for assumido por todos, é o caminho para garantir futuro às nossas comunidades cristãs”, escreve D. Manuel Felício sobre estas Jornadas.

E acrescenta: “O esforço por retomar a revisão da nossa vida de Fé à luz do modelo de Igreja conciliar vai, por isso, ser o nosso plano pastoral para os próximos anos. Daí a importância destas jornadas em Ano da Fé”.

 

 

publicado por dioceseguardacsociais às 09:35

Agenda episcopal de D. Manuel Felício

17.01.13

De 20 a 26 de Janeiro, D. Manuel Felício, Bispo da Guarda, participa nas seguintes iniciativas:

Dia 20, domingo: 11.45 horas - Na Paróquia de S. Jorge da Beira.

Dia 21:10.30 horas – Em Viseu, no encontro dos Bispos do Centro; 21.00 horas – No Soito (Sabugal), encontro com cooperadores pastorais do Padre António Dias Domingos.

Dia 22: 20H30 – Na Ruvina, encontro com cooperadores pastorais do Padre Hélder José Tomás Lopes.

Dia 23: 10.00 horas – No Seminário Maior, jornadas de formação do Clero; 20.30 horas – Em Vila do Touro, encontro com cooperadores pastorais do Padre António Filipe Morgado.

Dia 24: 10H00 – No Seminário Maior, jornadas de formação do Clero; 21.00 horas – No Sabugal, encontro com cooperadores pastorais do Padre Manuel Igreja Dinis.

Dia 26: 16.00 horas – No encerramento do retiro arciprestal do Sabugal.

publicado por dioceseguardacsociais às 10:24

D. Manuel Felício - Oito anos de Ministério Episcopal na Diocese da Guarda

17.01.13


Oito anos de Ministério Episcopal na Diocese da Guarda

Um balanço pastoral diante dos diocesanos

 

Cumpro hoje, dia 16 do corrente mês de Janeiro, oito anos de minis­tério episcopal ao serviço da Diocese da Guarda. De facto, em 21 de Dezembro de 2004, o então Papa e agora beato João Paulo II no­meou-me Bispo Coad­jutor da Diocese da Guarda, no impedimento do Sr. D. António dos Santos, por razões de falta de saúde. Entrei na nossa Diocese no dia 16 de Janeiro de 2005, um dia muito frio, mas compensado pelo ca­lo­roso acolhimento que a Dio­cese fazia àquele que o Senhor lhe enviava. Compreendi o entusi­as­mo desta recepção inicial, quando encontrei pos­teriormente, entusi­as­mo  semelhante nas visitas pas­torais que, desde então, fiz a cada uma das mais de 365 paróquias da nossa Diocese. E é principalmente um primeiro balanço das visitas pastorais rea­li­zadas a cada uma das nossas paróqui­as, ao longo de seis anos, de 2006 a 2012, que desejo fazer, aproveitando pa­ra isso esta data.  De facto, foram seis anos de contacto intenso com os párocos, as institui­ções paro­quiais e outras da sociedade civil, através de toda a Diocese. Estive em cada uma das paróquias em dois dias diferentes – num dia de semana, para contacto com pessoas e instituições na máxima proximidade e na realidade da sua vida diária; ao domingo, para celebrar e dar orienta­ções, que invaria­vel­men­te fica­ram registadas por escrito, lidas na assem­bleia dominical e com recomendação de serem transcritas em livro pró­prio. Destaco os seguintes pontos resultado destes contactos.

 

1. Importância dos cooperadores pastorais de cada pároco.

Encontrei-me com todos os grupos de cooperadores pastorais existentes em cada paróquia. E nestes encontros nunca tive a presença de menos de dez ele­mentos, mas, na esmagadora maioria deles, estiveram presentes dezenas. Se multiplicarmos o número de paróquias da Diocese por dezena e meia, en­con­traremos um número de cooperadores pastorais que ronda os 6 mil. A partir daqui, fico convencido de que a maior parte do nosso tempo, sobretudo de padres e diáconos, tem de ser gasto com a formação e o acom­­panhamento des­tes cooperadores pastorais, nos quais reside o gran­de potencial de crescimento na Fé das nossas comunidades. O esforço que queremos fazer de relançar a recepção do Concílio Vaticano II nas nossas comunidades tem de passar, em gran­de medida, por eles. Por isso, é minha intenção encontrar-me, de novo, com os cooperadores pastorais de cada pároco, dentro do programa de cada uma das jornadas arciprestais, em ano da Fé, que estão já calenda­rizadas.

 

 

 

2. A catequese e a formação na Fé.

Quanto á catequese da infância e adolescência, verifiquei que são muitas as pa­róquias que têm reduzido número de crianças e adolescentes e que, por isso, es­tão impossibilitadas de cumprir sozinhas este serviço que é es­sen­cial. Esta realidade que é nova, como nova é a diminuição de cri­anças que le­vou a fechar muitas das antigas escolas primárias, por deci­são superior e geralmente uni­lateral do governo, obriga-nos a mentalizar as paróquias e as famílias para a co­operação entre si e assim podermos vir a criar cen­tros de catequese em lugares estratégicos para servirem várias paróquias. Esta tem de ser mais uma das nos­sas prioridade pastorais, nos próximos anos. E já não partimos de zero, neste esforço, pois temos alguns bons exem­plos de catequese a partir do arci­pres­tado. Quanto á formação de adultos na Fé, senti que temos de continuar a fazer esforço para a con­solidar, através dos grupos bíblicos constituídos e ou­tros a que venham a criar-se. A passagem dos missionários pelas paróquias, a reconvocar para o encontro com a Pa­lavra de Deus, de modo geral, foi um apelo sentido pelas pessoas que agora temos de continuar.

 

3.Celebrações dominicais

Constatei que as celebrações dominicais são muito apreciadas pelas comu­ni­dades, incluindo muitas que não são sede de paróquia. Mas também cons­­­tatei que vamos ter necessidade de as redistribuir melhor pelo con­jun­to das pa­ró­quias confiadas ao mesmo pároco e também em espaços mais alar­gados, como são os arciprestados. Apesar de algum sacrifício que te­mos de pedir às pessoas, é nossa obrigação de sacerdotes e  diáconos pro­mover maior e melhor coo­pera­ção entre paróquias e paroquianos, tam­­bém na celebração da Fé, sobretudo ao domingo. E isto torna-se ne­cessário não só pela falta de sacerdotes, mas também pela di­minuição da população. A Eucaristia domi­nical tem de ser, acima de tudo, uma cele­bra­ção festiva, o que exige também pes­soas em número sufici­ente. Venho das visitas pastorais com a convicção re­­for­çada de que pre­cisamos de conti­nu­ar  a trabalhar para fazer o ajustamento das celebrações dominicais e dos centros de catequese, começando por cada con­junto de paróquias confia­das ao mesmo pároco e com critérios autorizados pelo Bispo.

 

4. Ministros extraordinários da Comunhão e serviços da caridade

Constatei que os Ministros Extraordinários da Comunhão constituem uma realidade notável na nossa Diocese e com boa tradição. Em cada paróquia procurei deixar sempre a mensagem de que os Ministros Extraordinários da Comunhão precisam de ser completados por um grupo de Visitadores dos doentes e idosos. A função destes grupos de visitadores de doentes e ido­sos será fazer visitas regulares aos que se encontram nestes circuns­tâncias, seja em suas casas seja nos lares e também  estarem atentos às necessi­dades materiais que possam existir. Esta será a forma de, nos pró­ximos tempos, estendermos a caridade organizada a todas as paróquias.

 

5. As Comissões fabriqueiras e administração das paróquias

Poucas foram as paróquias que encontrei sem as chamadas comissões da Fábrica da Igreja, que a lei canónica chama conselhos paroquiais para os assuntos económicos. Elas são uma realidade importante nas nossas paróquias e percebi que, em geral, são capazes de compreender a le­gis­lação da Igreja sobre administração paroquial; e pareceram-me interessa­das em receber formação nesse sentido.     

Notei que persistem dificuldades, quando se pretende fazer a articulação delas com as mordomias das festas e com as comissões das capelas, mas as orientações que lembrei tiradas da nossa legislação diocesana sobre administração paroquial parecem ter sido compreendidas. Também senti que este é um trabalho persistente que nunca chega ao fim.

 

6. Movimentos e obras de apostolado

Notei algum vazio de movimentos e obras de apostolado nas nossas paróquias, nomeadamente aqueles movimentos que lhes deram muita vida há anos atrás, como sejam os cursilhos de cristandade e a acção cató­lica. Também não senti toda a desejável presença dos serviços de apoio às famílias, como são as equipas de casais, embora o serviço de Preparação para o Matrimónio (CPM) apareça como um dado adquirido.

 Notei sinais de muita presença da associação do Apostolado da Oração nas nossas Paróquias, embora mais enfraquecida do que há décadas atrás, segundo a apreciação dos associa­dos que estiveram presentes nestas reuniões. Senti que este é um movimento que merece a nossa atenção, pois ele ainda está presente em quase todas as paróquias e constitui uma forma muito simples de alimentar a Fé das pessoas, sobretudo com o ofere­cimento das obras do dia e a confissão e comunhão reparadoras mensais. Eu fui lembrando que esta confissão e comunhão  reparadoras mensais po­dem não ser exatamente na primeira sexta-feira.

Também constatei a profunda ligação das nossas Paróquias e Diocese a Nossa Senhora de Fátima, com forte tradição nas peregrinações a Fátima.

Recordei o movimento “Mensagem de Fátima” e também o dos rosaris­tas, com bastante representação em algumas zonas da nossa Diocese e apelei à melhor preparação do centenário das aparições.

 

7. Quanto ao sacramento do Crisma, sublinhei que a sua celebração deve ser predominantemente no arciprestado ou pelo menos, para já, no conjunto do grupo de Paróquias confiadas ao mesmo Pároco. Precisa de ter - e eu lembrei-o  - momentos de preparação supra-paroquiais, como, por exemplo, retiros, que era bom terem calendarização e participação arciprestais.  E continuando por este caminho, iremos prepa­ran­do o acompanhamento dos jovens como um serviço espe­cífico de pastoral juvenil no âmbito do arciprestado, o que foi recomendado na última toma­da de posse dos arciprestes.

 

 

8.  Testemunho da comunhão sacerdotal

Finalmente venho destas visitas pastorais com a convicção reforçada de que o padres do mesmo arciprestado têm de dar testemunho de unidade e comunhão cada vez mais visível. Os fiéis deviam sentir que nós padres, a nível de arciprestado, funcionamos como sendo uma verdadeira equipa, sintonizados nos programas e nas práticas pastorais,  mesmo sabendo que devemos continuar a dar atenção às diferenças.

Venho convencido de que precisamos de  mostrar, na nossa acção de sacer­dotes e na maneira como colaboramos entre nós,  que os arcipres­tados serão as paróquias do futuro, futuro esse que já começou. E aqui lembro as orientações dadas aos arciprestes no acto da sua recente tomada de posse, em que se elencou um conjunto de serviços arciprestais que precisamos de organizar para apoiar a vida das paróquias.

 

 Olhando em frente, depois desta experiência de contacto com a base, através das visitas pastorais, vejo que os próximos três/quatro anos têm de ter para todos nós a grande prioridade de relançar a recepção do Concílio Vaticano II, na nossa diocese e nas suas paróquias. De facto, se formos capazes  de assumir com coragem o modelo de Igreja que o Concílio propõe, daremos importante passo para assegurar o futuro das nossas comunidades, sobretudo procurando promover a comunhão de mi­nistérios ao serviço da comunhão da Igreja. O desejo expresso em assembleia geral do Clero para que se realize também uma assembleia de representantes de todo o povo de Deus presente na nossa Diocese vai funcionar como motivação para este trabalho de levar às comunidades o  autêntico espírito do Concílio. E vemos aqui já a intuição fundamental do nosso programa pastoral para os próximos 3 ou 4  anos.

 

Olhando, agora, para o ano de 2012, dou graças a Deus pela Ordenação Episcopal do Reverendo D. António Manuel Moiteiro Ramos, na nossa Catedral, em Agosto; regozijo-me com a abertura do ano jubilar do servo de Deus D. João de Oliveira Matos, que se prolonga até Agosto próximo e coloco muita esperança na vivência do ano da Fé por todos os nossos fiéis e pelas nossas comunidades cristãs e  não ape­nas pelo que se espera das jornadas arciprestais da Fé que nos vão ocupar até Junho próximo. Quero relevar o facto de a nossa Diocese, através da Liga dos Servos de Jesus, passar a marcar presença em Angola, com o funcionamento de uma escola preparada para receber 500 alunos e uma comunidade de irmãs. A inau­guração foi em Abril passado e prevemos que o seu pleno funcionamento esteja garantido a partir do próximo mês de Fevereiro.

Que a bênção de Deus nos acompanhe nestas e noutras preocupações pastorais.

 

Guarda e Paço Episcopal, 16 de Janeiro de 2013

 

*Manuel R. Felício, Bispo da Guarda

publicado por dioceseguardacsociais às 10:23

Concerto no Ano da Fé - S. Miguel da Guarda

09.01.13

A Paróquia de S. Miguel da Guarda promove, a 13 de Janeiro, o “Concerto in Ano da Fé”. A iniciativa consta de duas partes, sendo a primeira com a Academia de Música e Dança do Fundão e a segunda com uma surpresa da Paróquia de S. Miguel. Na surpresa preparada pela paróquia, a direcção será do maestro José Luís Farinha (órgão: José Luís Farinha e Daniel Cordeiro; Soprano: Ludovina Fernandes; Flauta: Inês Lopes; Violino: Gonçalo Adriano; Grupo Vozes de Esperança, sob a direcção de Carlos Matos).

O concerto está marcado para as 16.00 horas, na Igreja de S. Miguel da Guarda.

publicado por dioceseguardacsociais às 10:51

Jornadas de formação do Clero

09.01.13

 

Padres reflectem sobre recepção do Concílio Vaticano II na Diocese Guarda

 

“Para retomar a recepção do Concílio Vaticano II na Diocese da Guarda” é o tema das Jornadas de Formação do Clero da Diocese da Guarda, marcadas para 23 e 24 de Janeiro. 

Os trabalhos vão decorrer no Seminário da Guarda e contam, no primeiro dia, com a presença de D. Manuel Linda, Bispo Auxiliar de Braga, que falará sobre “A árvore do Concílio Vaticano II”.

O programa, no dia 23, começa às 10.00 horas, com Oração inicial (Hora Intermédia), seguindo-se “A árvore do Concílio Vaticano II”, por D. Manuel Linda, Bispo Auxiliar de Braga.

Às 11.30 horas – intervalo; às 12.00 horas – Continuação e diálogo com o conferencista; às 13.00 horas – Almoço; às 14.30 horas – Mesa redonda sobre “A memória da 1ª recepção do Concílio Vaticano II na Diocese da Guarda, sendo intervenientes: Dr. Joaquim Esteves Saloio – então seminarista no Seminário Maior da Guarda; Dr. José Tomaz Ferreira – então da equipa formadora do Seminário Maior da Guarda; Padre Virgílio Mendes Arderius, uma memória da recepção do Concílio na Acção Católica, na nossa Diocese; e às 16.45 horas – Oração de Vésperas e fim dos trabalhos.

No dia 24 de Janeiro, os trabalhos recomeçam às 10.00 horas – Oração inicial (Hora Intermédia). Segue-se a comunicação “O positivo da primeira recepção do Concílio na Diocese da Guarda”, dados da investigação para tese de doutoramento, pelo autor, Padre Henrique Santos; às 11.30 horas – intervalo; 12.00 horas – Continuação do diálogo com o autor; às 13.00 horas – Almoço; às 14.30 horas – projecto de retomar a recepção do Concílio na Diocese, partindo do modelo de Igreja proposto na Lumen Gentium. A)Introdução pelo Padre António Carlos Marques Gonçalves, a partir de artigos recentemente publicados na Imprensa (Jornal A GUARDA). B) Trabalho de padres e diáconos, por zona pastoral, terminando com um plenário orientado pelo Secretariado Diocesano da Coordenação Pastoral.

As jornadas terminam, às 17.00 horas, com a concelebração da Eucaristia, na Semana da Unidade, pedindo fortalecimento da unidade e da comunhão, também entre o clero da Diocese da Guarda, para levar por diante o projecto de retomar a recepção do Concílio Vaticano II (paramentos brancos, na memória festiva de S. Francisco de Sales).

 

 

publicado por dioceseguardacsociais às 10:50

Agenda episcopal de D. Manuel Felício

09.01.13

De 13 a 19 de Janeiro, D. Manuel Felício, Bispo da Guarda, participa nas seguintes iniciativas:

 

13, domingo: 15.00 horas – No Seminário do Verbo Divino (Tortosendo), encontro com equipas de casais, terminando com Celebração da Eucaristia.

 

Dia 14: 10.30 horas - Encontro com os sacerdotes do arciprestado de Penamacor.

 

Dia 15: 10.30 horas- Encontro com os sacerdotes do arciprestado de Celorico da Beira.

 

Dia 16: 10.30 horas - Encontro com os sacerdotes do arciprestado de Gouveia; 14.30 horas – No Seminário Maior, assembleia Geral do Instituto “Comunhão e Partilha”, seguindo-se assembleia geral da Fundação Nun´Álvares.

 

Dia 17: 10.30 horas- Encontro com os sacerdotes do arciprestado de Seia.

 

Dia 18: 10.30 horas - Encontro com os sacerdotes do arciprestado de Alpedrinha.

 

Dia 19: 09.30 horas - No Centro Apostólico, Jornada Diocesana da Pastoral Familiar; 15.30 horas – Em Celorico da Beira, celebração da Confirmação.

publicado por dioceseguardacsociais às 10:50

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