III Domingo da Quaresma - Homilia de D. Manuel Felício

27.03.11

27/3/2011 - Homilia (Celorico da Beira)

 

  1. 1.     Celebramos o III Domingo da Quaresma e também o Dia Nacional da Caritas.

Entramos, com este domingo,  no coração da Quaresma, tempo especialmente favorável à nossa conversão, sobretudo pelo aprofundamento do encontro com a Pessoa de Jesus Cristo, através da Sua Palavra.

Neste esforço de conversão, é-nos pedido que repensemos os nossos compromissos de baptizados e discípulos de Cristo para podermos, com verdade, renovar as promessas baptismais  na Noite Pascal. Neste dia nacional  da Caritas, queremos lembrar a cada um de nós, às nossas comunidades cristãs e mesmo a toda a sociedade o dever de sermos solidários, levando a sério o princípio indiscutível do destino universal dos bens, criados para todos. Para confirmar esta certeza e estimular as boas práticas, o ofertório deste domingo em todas as celebrações dominicais destina-se a auxiliar os mais necessitados, através da Caritas.

 

  1. 2.     A Palavra de Deus hoje propõe-nos, no Evangelho, o relato do encontro de Jesus com a Samaritana, junto ao Poço de Jacob, em Sicar. Jesus toma a iniciativa de lhe pedir água para beber, no que estava a transgredir uma regra social, ao passar pelo território da Samaria, a caminho de Jerusalém. A  mulher não esconde a sua surpresa, mas abre o coração à nova realidade que Jesus lhe propõe – essa água viva que mata a sede de uma vez para sempre. O diálogo prolonga-se e esta mulher confirma a sua convicção de que está a dialogar com o Salvador e acredita nele. Não consegue guardar para si esta boa notícia e vai comunicá-la à cidade. Os discípulos de Jesus, que tinham ido à cidade comprar alimentos, não entendem que Jesus tenha estabelecido diálogo com esta estrangeira e ficam ainda mais surpreendidos, quando, ao insistirem com Ele para comer, recebem a resposta: “O meu alimento é fazer a vontade d’Aquele que me enviou”. Os  discípulos não entenderam, mas se estivessem atentos ao que dizia a Palavra de Deus no texto do Livro do Êxodo que lemos hoje na primeira leitura, podiam perceber melhor o gesto e a atitude de Jesus. De facto, Ele estava simbolicamente anunciado naquele rochedo de onde passou a brotou água para matar a sede a todo o Povo, por força de Deus, através da vara de Moisés.

Jesus é realmente essa água viva que mata a sede de uma vez para sempre. Ele é a iniciativa  de Deus que, com rosto humano, entrou na história e entregou a Sua vida por nós, quando ainda éramos pecadores, como lembra hoje S. Paulo aos Romanos, para,   assim, nos recuperar para a condição de filhos de Deus e membros da sua família.

 

  1. 3.     Toda a Humanidade está vocacionada para ser  uma única família. Uma família onde há pessoas diferentes, grupos diferentes, culturas e tradições diferentes, mas que precisa da unidade própria de uma Família. Como Igreja e nas nossas comunidades cristãs estamos empenhados em viver esta vocação a constituirmos a única família dos Filhos de Deus. O caminho é Jesus Cristo, fonte de água viva como nos lembra o Evangelho de hoje. A Palavra de Deus que lemos, proclamamos, meditamos e partilhamos é a grande escola que nos há-de ajudar a progredir no cumprimento desta vocação.

As famílias e os grupos mais alargados que têm encontro  regular com a Palavra de Deus são os espaços onde se realiza a escola dos discípulos de Jesus. Queremos fazer a experiência feliz do encontro com o Senhor Ressuscitado, que de facto renova a nossa vida pessoal e comunitária e também a vida da Sociedade que é a nossa.

 

  1. 4.     E na renovação da Sociedade, que constitui a nossa grande responsabilidade, sobretudo na hora actual, há prioridades que não podemos esquecer. Uma delas é criar condições às famílias para elas cumprirem a nobre missão que lhes está confiada e que consiste principalmente na defesa e promoção da vida e também na educação dos seus Filhos. Precisamos de cidadãos bem formados para virmos a ter  a sociedade renovada e bem organizada que não temos. Não podemos marginalizar as famílias do processo da educação, como infelizmente tem estado a acontecer.

Não podemos continuar com a clamorosa falta de condições sociais para a vida das nossas famílias, que de facto  estão a  ser impedidas de cumprir a sua principal responsabilidade que é oferecer à Sociedade os cidadãos bem formados que ela precisa. Os baixos índices de natalidade que nos envergonham, mesmo dentro  desta Europa  envelhecida, que começa a dar   alguns sinais de querer acordar, não podem deixar-nos dormir tranquilos.

As famílias não são em primeiro lugar unidades de produção e consumo material. São sim, primeiro de tudo, santuários de amor e de vida, onde, no diálogo  fraterno e entre  gerações, se lançam as bases de uma sociedade renovada. Se se impõem  às nossas famílias formas de vida em que o emprego ou a actividade da produção material ocupam todas as suas energias, ficando sem tempo e disposições para os  pais darem aos filhos, os filhos terem tempo e espaço para o diálogo com os pais; os irmãos sentirem  os efeitos positivos de partilha e mesmo correcção fraterna entre si e os avós poderem conviver  com os netos, estamos a empobrecer, e de que maneira, a nossa sociedade. Estamos, de facto, a não promover e mesmo a desperdiçar o capital mais importante que é o capital humano. E é pior ainda, quando os sistemas educativos “roubam” de facto, os filhos aos pais para não só decidirem, nas costas deles, os  seus projectos educativos ou a ausência deles, mas ainda por cima lhes transmitirem a mensagem de que esta é a melhor ajuda para as famílias. Convém não esquecermos que pretender educar as novas gerações fora das suas famílias é experiência desastrosa já comprovada em larga escala  em outros ambientes e países e temos obrigação de abrir os olhos para não repetirmos os mesmos erros.

Na hora em que está aberto o processo para repensar a sociedade portuguesa, é bom não esquecer, mas colocar na primeira linha das nossas preocupações a  necessidade  de reformar as nossas leis  e políticas de família e também de rever a relação das famílias com as escolas, na formação supletiva que a estas assiste.

Convém pensar  seriamente em devolver à sociedade civil e em particular às famílias  o direito fundamental que lhes assiste de serem os protagonistas dos projectos educativos que devem ser propostos aos seus filhos. E nunca é demais lembrar que o Estado é a pessoa menos indicada para fazer  projectos educativos. De facto nunca poderá elaborar projectos  educativos de excelência, pois é neutro e  laico  e os valores, começar pelos mais nobres, não podem faltar nesses projectos.

Tenhamos por isso a coragem de devolver a responsabilidade de organizar os projectos educativos das Escolas a quem de direito ou  seja à sociedade civil e em particular às famílias. Não tenhamos medo de aceitar, sem pressão de ideologias, o que é óbvio: a saber, as sociedades têm de organizar-se não de cima para baixo, mas de baixo para cima e de dentro para fora.

Como Igreja e como comunidades cristãs, queremos dar o nosso contributo. E damo-lo, de facto, no exercício da nossa responsabilidade e na medida em que Jesus Cristo e os valores da Boa Nova do seu Evangelho passem a fazer  parte da nossa vida pessoal e comunitária. Procuraremos, assim também iluminar as diversas situações humanas em que nos enquadramos. Por isso e para a próxima  vamos reflectir sobre a Pessoa de Cristo Vivo, luz que ilumina todas as escuridões.

 

+Manuel da Rocha Felício, Bispo da Guarda

publicado por dioceseguardacsociais às 19:30

Agenda Episcopal de D. Manuel Felício

25.03.11

 

De 27 de Março a 2 Abril, D. Manuel Felício, Bispo da Guarda, participa nas seguintes actividades:

Dia 27, domingo: Encerramento de visitas pastorais em Cadafaz (9.30 horas), Lageosa do Mondego (10.45 horas) e Mesquitela (12.00 horas).

Dia 28: 16.00 horas – Visita pastoral na Paróquia do Minhocal.

Dia 29: Visita pastoral na Paróquia da Rapa.

Dia 30: Visita pastoral na Paróquia da Ratoeira.

Dia 31: Visita Pastoral na Paróquia de Vale de Azares.

Dia 1 de Abril: Visita pastoral na Paróquia de Vila Boa.

Dia 2: Encerramento de Visita pastoral nas Paróquias Rapa (19.30 horas).

publicado por dioceseguardacsociais às 16:36

Guarda recebe Encontro Nacional de Catequese

21.03.11

De 13 a 16 de Abril, vai decorrer, na Guarda, o 50.º encontro nacional de catequese, promovido pelo Secretariado Nacional da Educação Cristã (SNEC). A iniciativa, que vai reflectir sobre “o futuro da Catequese” da infância e adolescência, pretende aprofundar a formação e contribuir para o “estreitamento de laços e troca de experiências”.

 

O encontro, baseado na frase ‘Sereis minhas testemunhas’, atribuída a Cristo no livro bíblico dos Actos dos Apóstolos, inclui a participação do presidente da Equipa Europeia de Catequese, frei Enzo Biemmi, do Cardeal Patriarca de Lisboa, D. José Policarpo, e do bispo da Guarda, D. Manuel Felício, que preside à missa marcada para 15 de Abril na catedral da cidade.

 

Programa

 

13 de Abril

 

17h30: Chegada. Acolhimento das equipas dos Secretariados Diocesanos (Hotel Lusitânia)

 

20h00: Jantar (Hotel Lusitânia)

 

21h30: Apresentação dos Secretariados. Reunião (Hotel Lusitânia)

 

22h30: Oração da noite

 

14 de Abril

 

09h10: Saída de autocarro para os convidados alojados no Centro Apostólico

 

09h30: Abertura do Encontro e oração de Laudes (Hotel Lusitânia)

 

10h00: 1.ª Conferência e debate: ‘A Catequese no contexto das prioridades pastorais da Igreja em Portugal’ - À luz da reflexão sobre a Iniciação Cristã (D. José da Cruz Policarpo, cardeal patriarca de Lisboa)

 

11h15: Intervalo

 

11h45: Diálogo com o conferencista

 

13h00: Almoço

 

15h00: 2.ª Conferência: ‘Os catecismos em Portugal – um percurso de propostas educativas’ (Padre António Moiteiro Ramos)

 

16h00: 3.ª Conferência: ‘Encontro Nacional de Catequese - um contributo para o desenvolvimento da Catequese em Portugal’ (Maria Luísa Boléo)

 

17h30: Intervalo

 

18h10: Saída para a missa (autocarros)

 

18h30: Oração de Vésperas integrada na missa (Paróquia de S. Miguel - Estação da Guarda, a cerca de 10 minutos de autocarro)

 

19h30: Jantar (Hotel Lusitânia)

 

21h00: Saída do hotel (autocarro)

 

21h30: Serão Cultural: Concerto (Salão das irmãs Hospitaleiras do Sagrado Coração de Jesus)

 

23h00: Regresso aos alojamentos (autocarro)

 

15 de Abril

 

09h10: Saída de autocarro para os convidados alojados no Centro Apostólico

 

09h30: Oração de Laudes (Hotel Lusitânia)

 

10h00: 4.ª Conferência: ‘A catequese e os catequistas face aos desafios da secularização’ (Fr. Enzo Biemmi, presidente da Equipa Europeia de Catequese)

 

11h15: Intervalo

 

11h45: Continuação da conferência e diálogo

 

13h00: Almoço

 

15h00: 5.ª Conferência: ‘Problemáticas e oportunidades para a formação de catequistas’ (Fr. E. Biemmi)

 

17h00: Intervalo

 

17h30: Saída para a Sé (autocarro, cerca de 15 minutos)

 

18h00: Missa na Sé da Guarda (presidida por D. Manuel Felício, bispo da Guarda)

 

19h00: Passeio pelo centro histórico da cidade da Guarda

 

20h00: Jantar e Serão Cultural (Hotel Vanguarda)

 

21h30: Animação (Grupo de animação da Arrifana e Conservatório de música - S. José (coro infantil))

 

23h00: Regresso ao hotel Lusitânia e Centro Apostólico (autocarros)

 

16 de Abril

 

09h00: Saída para Jornada Cultural em Guarda, Belmonte, Sortelha e Sabugal

 

13h00: Almoço (Sabugal)

 

15h30: Regresso aos alojamentos

 

16h30: Despedidas

publicado por dioceseguardacsociais às 14:21

Homília de D. Manuel Felício - II Domingo da Quaresma

21.03.11

Jesus é a Palavra viva que nos transfigura

 

l. neste segundo domingo da Quaresma contemplamos o  mistério da Transfiguração de Jesus. Pedro, Tiago e João no alto do monte Tabor ficam deslumbrados com a figura de Jesus resplandecente de luz. Com Ele falavam  duas figuras do Antigo Testamento – Moisés e Elias e o tema da conversa era, como diz o Evangelista S. Lucas no lugar paralelo a este de S.Mateus, a morte de Jesus. Se lemos a passagem imediatamente anterior do Evangelho, encontramos Jesus a fazer o anúncio da sua morte que vai acontecer em Jerusalém E, perante o escândalo  dos doze, o mesmo Jesus acrescenta ainda mais matéria de escândalo, sublinhando o estatuto do verdadeiro discípulo, ao dizer: “Se alguém quiser seguir-me, renegue-se a sim mesmo, tome a sua cruz e siga-me. Quem quiser salvar a vida há-de perdê-la…!

A transfiguração anuncia a identidade divina de Jesus, sem esconder o percurso difícil que Ele teve de fazer para cumprimento da vontade do Pai e Salvação da Humanidade, o qual incluiu a Paixão e a morte, imposta pela maldade dos homens, rumo à vitória  sobre a mesma morte, na Sua Ressurreição.

 

2. E agora nós que havemos de fazer para dar cumprimento, à mensagem da Transfiguração de  Jesus?

Primeiro, temos de saber olhar para a nossa vida pessoal, comunitária e social e ver quais são os aspectos que precisam de ser transfigurados  e que caminhos nos podem conduzir a essa transfiguração. Para o discernimento  desses caminhos a Palavra de Deus hoje proclamada dá-nos indicações  claras.

Assim, o Patriarca Abraão transfigurou a sua  vida e a vida do mundo quando teve a coragem de trocar as seguranças comuns de família, país, cultura, religião, pela única segurança que  dá verdadeiro sentido à vida de qualquer pessoa e mesmo de qualquer Povo – colocar-se  nas  mãos de Deus para serviço da comunidade. Também Paulo apontou ao seu discípulo Timóteo, no exercício da missão episcopal de condutor do Povo de Deus, um caminho que é no mínimo surpreendente, ao dizer-lhe:  “Sofre comigo pelo Evangelho  apoiado na força de Deus”.

 

3. A Igreja em Portugal  encontra-se  à procura de novos caminhos e mesmo de novas formas de ser Igreja para interpretar bem e levar  à prática a mensagem libertadora de Nosso Senhor Jesus Cristo. Quando  Tentamos responder ao apelo do “repensar juntos a Pastoral da Igreja em Portugal”, sentimos à partida, que qualquer pastoral, para ser digna desse nome, tem de nos conduzir para o encontro com o Senhor Jesus e Sua Palavra e só depois pode levar a tarefas concretas. Por isso, o encontro com Cristo vivo, através da leitura meditada e partilhada da Sua  Palavra presente na Bíblia, é a nossa grande prioridade. É a partir deste encontro vivo com o Senhor Ressuscitado que a Igreja tem de se organizar para prestar o seu serviço à comunidade portuguesa, na situação difícil em que se encontra. Esta situação difícil torna urgente que sejam repensados os caminhos da gestão da coisa pública que estão a ser percorridos. Isto, porque as pessoas,  em geral, não estão satisfeitas e o nível da sua insatisfação cresce em vez de diminuir. E não pensemos que esta insatisfação  acabaria se estivessem equilibradas as contas públicas e a nossa  volumosa dívida externa estivesse por inteiro saldada. Sem dúvida que este é um  gravíssimo problema que tem de preocupar todos os portugueses.

Todavia,  a insatisfação das pessoas temos obrigação de a saber avaliar principalmente a partir da falta de condições para conseguirem a qualidade  de vida que não têm.

Essa falta de condições de vida com qualidade  manifesta-se principalmente no elevado número de pessoas que estão fora do trabalho e consequentemente impedidas de participarem activamente no desenvolvimento. Estão fora do trabalho porque perderam o emprego, ou ainda não conseguiram o primeiro emprego ou então não têm condições para tomarem a iniciativa de criarem o seu próprio trabalho. Temos de encontrar formas de mobilizar as pessoas todas para um verdadeiro projecto comum, que poderemos chamar de desígnio nacional. Um desígnio que saiba aproveitar as potencialidades de crescimento que temos e, em particular, os recursos humanos mais qualificados que existem na população portuguesa. E aqui há exemplos que não são nada animadores.

Cito apenas um. No ano 2010, o número de licenciados que saíram do nosso país à procura de emprego no estrangeiro cresceu numa percentagem  de 57%. Temos de concordar em que é frustrante saber que o Estado Português suportou custos elevados com a formação de quadros qualificados que agora oferece de bandeja a outros países. E podemos acrescentar outras incapacidades verificadas na gestão da coisa pública do nosso país. Só cito mais um exemplo. O Estado português endividou-se  e continua a endividar-se ao estrangeiro e não teve arte nem engenho para aproveitar da melhor maneira os fundos comunitários que há mais de 2 décadas lhe estão a ser atribuídos para vencer a distância que nos separa dos países mais desenvolvidos da Europa. Continuamos a  divergir deles em vez de conseguirmos a desejada convergência.

Precisamos, de facto, que toda a sociedade portuguesa se empenhe a sério para definir qual é o seu desígnio e se empenhe ainda mais  em comprometer nesse desígnio  todos os cidadãos portugueses. E nesse desígnio não podem constar apenas objectivos materiais económicos, mas também todos aqueles que são necessários para a completa satisfação das pessoas. Do número deles não podem ficar excluídas as dimensões humanas da  espiritualidade, da ética e da relação com Deus, para virmos a ser uma sociedade verdadeiramente equilibrada. Acresce ainda a necessidade de promover a máxima participação de todos, pessoas e instituições. Assim, precisamos de criar condições às famílias para elas poderem desempenhar a parte mais importante da sua missão que  é promover a vida e oferecerem à sociedade os cidadãos bem preparados que ela precisa. Precisamos de dar novo enquadramento  ás escolas para que saibam ocupar o seu espaço, dando cumprimento a projectos educativos que brotem realmente da sociedade civil e, em particular das famílias.

Sabemos todos que vivemos tempos de muita dificuldade, pois, se em outros países a crise está a passar, no nosso , parece que veio para ficar. É, por isso, natural que nos sejam pedidos sacrifícios. Ora, nós temos de reconhecer que a educação em geral praticada nas nossas escolas não prima por apresentar com realismos aos nossos jovens o lado difícil da vida e dos sacrifícios que vale a pena fazer para atingir metas de excelência. Todavia, julgamos possível continuar a pedir sacrifícios ao nosso povo desde que sejam bem explicados e também fique bem clara a distribuição equitativa dos mesmos.

 

Regressando ao quadro da Transfiguração, sentimos o convite à renovação para centrarmos a nossa vida cada vez mais na pessoa de Jesus Cristo e na Sua  Palavra Evangélica. É a partir desta renovação que também poderemos ajudar a sociedade portuguesa a encontrar os caminhos de equilíbrio e de verdadeira humanidade que lhe estão a faltar.

Do Senhor Jesus esperamos a resposta para a sede de bem e de valores que de facto existe na vida das pessoas. Por isso, para a próxima vamos centrar-nos em Cristo, Palavra e fonte de Vida, onde todos podem  matar a sede de viver.

+Manuel da Rocha Felício, Bispo da Guarda

publicado por dioceseguardacsociais às 09:39

Homilia do 1º Domingo da Quaresma - D. Manuel Felício

14.03.11

 Jesus Cristo é Palavra viva e fonte de vida que destrói toda a espécie de mal.

 

No primeiro domingo da Quaresma começamos por lembrar a importância de centrar a atenção sobre a verdade da nossa vida e a verdade do mundo para, a partir dela, podermos tomar boas decisões e levá-las à prática.

Todos sentimos a tentação de andar por caminhos que nos situam fora da verdade e mesmo nos conduzem para longe dela. Esses caminhos existem e, algumas vezes até nos são propostos como normais e geradores de felicidade, por satisfazerem apetites e interesses individuais ou de grupo.

 

Todavia, os factos cada vez mais comprovam que andar por caminhos contrários à verdade ou fora dela é fonte das maiores desordens com prejuízo para a vida das pessoas em geral, principalmente dos mais débeis e menos protegidos.

A palavra de Deus hoje alerta-nos para a sedução que estes caminhos contrários à verdade exercem sobre as pessoas em geral. Não estamos perante nenhuma novidade, pois esta tem sido uma constante na história da Humanidade, desde o seu início, como lembra a leitura do livro do Génesis hoje proclamada.

 

E Jesus não se quis subtrair à experiência de ser tentado a percorrer esses caminhos desviantes. O texto evangélico diz mesmo que as tentações fazem parte do desígnio de Deus e por isso, Ele é conduzido ao deserto pelo Espírito Santo para ser tentado.

S. Paulo tranquiliza-nos ao garantir que a tentação nunca será mais forte do que a Graça de Deus que ele distribui a todos os que a não recusam. Onde abundou o pecado superabundou a graça, como lembra o Apóstolo.

O mesmo Jesus que venceu as tentações e percorreu sempre o caminho do bem é para nós hoje e sempre a Palavra viva e fonte de vida que vence toda a espécie de mal em nós e no mundo.

 

Ele é o Verbo de Deus, Palavra viva e eterna, que veio ao mundo enviado pelo Pai para nos fortalecer na verdade. E quando falamos em verdade, falamos da verdade das pessoas, mas também da verdade do mundo e na verdade da história feita de relações entre as pessoas.

A verdade das pessoas consiste principalmente em elas serem criadas por Deus, para viverem no tempo, mas com vocação de eternidade. Sempre que os bens materiais deixam de ser usados como meio e passam a ocupar o primeiro lugar nas nossas intenções e nas nossas práticas começam os dramas, por esta verdade ser posta em causa. Por isso Jesus lembra hoje no Evangelho que nem só de pão vive o homem. A verdade do homem e da mulher consiste também em que foram criados para serem senhores e não escravos; mas senhores que respeitam as leis fundamentais inscritas pelo criador na matriz de toda a criatura. E toda a situação difícil por que estamos a passar socialmente exige sobretudo a quem governa que leve muito a sério este elementar princípio. Caso contrário, pode governar, mas governará certamente mal ou seja contra o bem das pessoas. Não basta ter conhecimentos para governar bem. Se assim fosse o nosso país estaria na melhor situação de sempre, pois nunca tivemos tantos doutores como hoje. O certo porém é que na arte de governar precisamos de saber conjugar cada vez mais o conhecimento exacto com a sabedoria dos valores que dão sentido à vida e geram condições de bem estar total para todos.

As tentações que Jesus sofreu também envolveram a relação com Deus. É dado assente de uma sã antropologia que a realização do ser homem e ser mulher não é possível fora desta relação. Porém nós assistimos nas sociedades de hoje a dois tipos de perversão no relacionamento com Deus. Um deles é o silenciamento e mesmo a recusa deste dado incontornável da nossa condição. Sobretudo o mundo europeu, dito evoluído, parece postado em negar toda e qualquer direito de cidadania a Deus e àqueles que teimam em dar expressão pública à relação com Ele. Outro é o aproveitamento da relação com Deus para fins que lhe são totalmente estranhos, como é a utilização abusiva dos sentimentos religiosos das pessoas para acções de violência e mesmo de morte, como infelizmente continua a acontecer.

 

Que toda esta Quaresma seja oportunidade bem aproveitada para todos restabelecermos a relação com a verdade profunda das nossas pessoas e do nosso mundo e daí tirarmos todas as consequências para o comportamento saudável, pessoal e comunitário.

 

Para a próxima semana meditaremos sobre “Jesus, Palavra viva que nos transfigura”.

 

+Manuel R. Felício, Bispo da Guarda.

publicado por dioceseguardacsociais às 15:00

Conferências Quaresmais na Covilhã

14.03.11

publicado por dioceseguardacsociais às 11:07

Novo livro do Papa à venda na Guarda

11.03.11

Segunda parte de «Jesus de Nazaré» é apresentada, hoje, no Vaticano

 

«Jesus de Nazaré. Da Entrada em Jerusalém até à Ressurreição» é o novo livro de Bento XVI, e já está à venda na Guarda, na Livraria Veritas.

A apresentação do livro, na Guarda, será na próxima semana, no dia 18 de Março, às 18.00 horas, na Biblioteca Municipal Eduardo Lourenço.

A iniciativa é organizada pela Livraria Veritas, Jornal A Guarda, Diocese da Guarda e Principia Editora. O livro será apresentado pelo Cónego Manuel Matos, estando previstas intervenções de Henrique Mota (director da Principia) e de D. Manuel Felício (Bispo da Guarda).

A segunda parte do livro sobre Jesus está centrada na «Paixão» de Jesus que, para o Papa, é uma “imagem de esperança”, porque “Deus está do lado dos que sofrem”.

“Em Jesus aparece o ser humano como tal. Nele se manifesta a miséria de todos os prejudicados e arruinados. Na sua miséria, reflecte-se a desumanidade do poder humano, que assim esmaga o impotente”, escreve Bento XVI.

A obra, em nove capítulos, é dedicada aos momentos que precederam a morte de Jesus e a sua ressurreição, mostrando, segundo o Papa, as palavras e acontecimentos decisivos da vida de Cristo.

Como em 2007, na primeira parte de «Jesus de Nazaré», o Papa centra-se na figura de Cristo que é apresentada pelos Evangelhos canónicos (Marcos, Mateus, Lucas e João), considerando estes livros como as principais fontes credíveis para chegar ao verdadeiro Jesus.

Bento XVI fala de um Cristo que “tem de experimentar a incompreensão, a infidelidade até no âmbito do círculo mais íntimo dos amigos”, destacando a traição de Judas, precisamente no dia da “Última Ceia”.

Num capítulo dedicado ao «processo de Jesus», Bento XVI traça uma longa descrição da luta de Cristo face ao poder religioso e político da altura.

O Papa coloca acusação e condenação à morte na “aristocracia do templo” de Jerusalém, mas também responsabiliza o prefeito romano por um julgamento injusto, no qual preferiu “a carreira” e a “paz” à “justiça” perante quem não representava qualquer ameaça política.

A segunda parte de «Jesus de Nazaré» vai ser apresentada, hoje, no Vaticano, em conferência de imprensa, com a presença do cardeal Marc Ouellet, prefeito da Congregação para os Bispos, e de Claudio Magris, escritor e germanista.

O primeiro volume, publicado há quatro anos, é dedicado à vida de Cristo (desde o Baptismo à Transfiguração), estando o Papa a escrever uma terceira parte, que vai abordar os chamados «Evangelhos da infância».

Recorde-se que a obra começou a ser elaborada nas férias de 2003, antes da eleição de Joseph Ratzinger como Papa.

 

 

publicado por dioceseguardacsociais às 16:56

Retiro para Casais

11.03.11

 

O Movimento das Equipas de Nossa Senhora (sector da Guarda), vai realizar o retiro anual, de 8 a 10 de Abril.

Esta iniciativa será orientada pelo Padre Carlos Lourenço e vai decorrer na Casa de S. José – Centro Paroquial de Seia.

Podem participar os casais membros do Movimento bem como outros cais católicos interessados.

As inscrições decorrem até dia 2 de Abril (casal valente – 271212717, 964623289)

publicado por dioceseguardacsociais às 16:56

Retiro da Acção Católica

11.03.11

 

“A Bíblia na vida do Cristão” é o tema do retiro que a Acção Católica dos Meios Sociais Independentes vai realizar, de 21 a 23 de Março, na Casa da Acção Católica na Guarda.

Os trabalhos, orientados pelo Padre José Manuel Martins de Almeida, terão lugar das 10.00 às 12.00 horas e das 14.30 às 17.00 horas.

publicado por dioceseguardacsociais às 16:56

Dia Diocesano do Catequista

11.03.11

 

O Dia Diocesano do Catequista vai ser celebrado, no próximo sábado, 12 de Março, no Centro Apostólico D. João de Oliveira Matos, na Guarda. A iniciativa é organizada pelo Departamento da Infância e Adolescência da Diocese da Guarda e terá lugar entre as 9.30 horas e as 17.00 horas.

Para domingo, 13 de Março, está programado um retiro de catequistas, também no mesmo horário.

Estas iniciativas serão orientadas por Maria Luísa Boléu, membro do Secretariado Nacional da Educação Cristã e terão como tema “A Palavra de Deus nos Catecismos”.

publicado por dioceseguardacsociais às 16:55

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