Dia Mundial das Comunicações Sociais

28.01.11

Mensagem de Bento XVI para o 45.º Dia Mundial das Comunicações Sociais

Verdade, anúncio e autenticidade de vida, na era digital

Queridos irmãos e irmãs!

Por ocasião do XLV Dia Mundial das Comunicações Sociais, desejo partilhar algumas reflexões, motivadas por um fenómeno característico do nosso tempo: a difusão da comunicação através da rede internet. Vai-se tornando cada vez mais comum a convicção de que, tal como a revolução industrial produziu uma mudança profunda na sociedade através das novidades inseridas no ciclo de produção e na vida dos trabalhadores, também hoje a profunda transformação operada no campo das comunicações guia o fluxo de grandes mudanças culturais e sociais. As novas tecnologias estão a mudar não só o modo de comunicar, mas a própria comunicação em si mesma, podendo-se afirmar que estamos perante uma ampla transformação cultural. Com este modo de difundir informações e conhecimentos, está a nascer uma nova maneira de aprender e pensar, com oportunidades inéditas de estabelecer relações e de construir comunhão.

 

Aparecem em perspectiva metas até há pouco tempo impensáveis, que nos deixam maravilhados com as possibilidades oferecidas pelos novos meios e, ao mesmo tempo, impõem de modo cada vez mais premente uma reflexão séria acerca do sentido da comunicação na era digital. Isto é particularmente evidente quando nos confrontamos com as extraordinárias potencialidades da rede internet e a complexidade das suas aplicações. Como qualquer outro fruto do engenho humano, as novas tecnologias da comunicação pedem para ser postas ao serviço do bem integral da pessoa e da humanidade inteira. Usadas sabiamente, podem contribuir para satisfazer o desejo de sentido, verdade e unidade que permanece a aspiração mais profunda do ser humano.

 

No mundo digital, transmitir informações significa com frequência sempre maior inseri-las numa rede social, onde o conhecimento é partilhado no âmbito de intercâmbios pessoais. A distinção clara entre o produtor e o consumidor da informação aparece relativizada, pretendendo a comunicação ser não só uma troca de dados, mas também e cada vez mais uma partilha. Esta dinâmica contribuiu para uma renovada avaliação da comunicação, considerada primariamente como diálogo, intercâmbio, solidariedade e criação de relações positivas. Por outro lado, isto colide com alguns limites típicos da comunicação digital: a parcialidade da interacção, a tendência a comunicar só algumas partes do próprio mundo interior, o risco de cair numa espécie de construção da auto-imagem que pode favorecer o narcisismo.

 

Sobretudo os jovens estão a viver esta mudança da comunicação, com todas as ansiedades, as contradições e a criatividade própria de quantos se abrem com entusiasmo e curiosidade às novas experiências da vida. O envolvimento cada vez maior no público areópago digital dos chamados social network, leva a estabelecer novas formas de relação interpessoal, influi sobre a percepção de si próprio e por conseguinte, inevitavelmente, coloca a questão não só da justeza do próprio agir, mas também da autenticidade do próprio ser. A presença nestes espaços virtuais pode ser o sinal de uma busca autêntica de encontro pessoal com o outro, se se estiver atento para evitar os seus perigos, como refugiar-se numa espécie de mundo paralelo ou expor-se excessivamente ao mundo virtual. Na busca de partilha, de «amizades», confrontamo-nos com o desafio de ser autênticos, fiéis a si mesmos, sem ceder à ilusão de construir artificialmente o próprio «perfil» público.

 

As novas tecnologias permitem que as pessoas se encontrem para além dos confins do espaço e das próprias culturas, inaugurando deste modo todo um novo mundo de potenciais amizades. Esta é uma grande oportunidade, mas exige também uma maior atenção e uma tomada de consciência quanto aos possíveis riscos. Quem é o meu «próximo» neste novo mundo? Existe o perigo de estar menos presente a quantos encontramos na nossa vida diária? Existe o risco de estarmos mais distraídos, porque a nossa atenção é fragmentada e absorvida por um mundo «diferente» daquele onde vivemos? Temos tempo para reflectir criticamente sobre as nossas opções e alimentar relações humanas que sejam verdadeiramente profundas e duradouras? É importante nunca esquecer que o contacto virtual não pode nem deve substituir o contacto humano directo com as pessoas, em todos os níveis da nossa vida.

 

Também na era digital, cada um vê-se confrontado com a necessidade de ser pessoa autêntica e reflexiva. Aliás, as dinâmicas próprias dos social network mostram que uma pessoa acaba sempre envolvida naquilo que comunica. Quando as pessoas trocam informações, estão já a partilhar-se a si mesmas, a sua visão do mundo, as suas esperanças, os seus ideais. Segue-se daqui que existe um estilo cristão de presença também no mundo digital: traduz-se numa forma de comunicação honesta e aberta, responsável e respeitadora do outro. Comunicar o Evangelho através dos novos media significa não só inserir conteúdos declaradamente religiosos nas plataformas dos diversos meios, mas também testemunhar com coerência, no próprio perfil digital e no modo de comunicar, escolhas, preferências, juízos que sejam profundamente coerentes com o Evangelho, mesmo quando não se fala explicitamente dele. Aliás, também no mundo digital, não pode haver anúncio de uma mensagem sem um testemunho coerente por parte de quem anuncia. Nos novos contextos e com as novas formas de expressão, o cristão é chamado de novo a dar resposta a todo aquele que lhe perguntar a razão da esperança que está nele (cf. 1 Pd 3, 15).

 

O compromisso por um testemunho do Evangelho na era digital exige que todos estejam particularmente atentos aos aspectos desta mensagem que possam desafiar algumas das lógicas típicas da web. Antes de tudo, devemos estar cientes de que a verdade que procuramos partilhar não extrai o seu valor da sua «popularidade» ou da quantidade de atenção que lhe é dada. Devemos esforçar-nos mais em dá-la conhecer na sua integridade do que em torná-la aceitável, talvez «mitigando-a». Deve tornar-se alimento quotidiano e não atracção de um momento. A verdade do Evangelho não é algo que possa ser objecto de consumo ou de fruição superficial, mas dom que requer uma resposta livre. Mesmo se proclamada no espaço virtual da rede, aquela sempre exige ser encarnada no mundo real e dirigida aos rostos concretos dos irmãos e irmãs com quem partilhamos a vida diária. Por isso permanecem fundamentais as relações humanas directas na transmissão da fé!

 

Em todo o caso, quero convidar os cristãos a unirem-se confiadamente e com criatividade consciente e responsável na rede de relações que a era digital tornou possível; e não simplesmente para satisfazer o desejo de estar presente, mas porque esta rede tornou-se parte integrante da vida humana. A web está a contribuir para o desenvolvimento de formas novas e mais complexas de consciência intelectual e espiritual, de certeza compartilhada. Somos chamados a anunciar, neste campo também, a nossa fé: que Cristo é Deus, o Salvador do homem e da história, Aquele em quem todas as coisas alcançam a sua perfeição (cf. Ef 1, 10). A proclamação do Evangelho requer uma forma respeitosa e discreta de comunicação, que estimula o coração e move a consciência; uma forma que recorda o estilo de Jesus ressuscitado quando Se fez companheiro no caminho dos discípulos de Emaús (cf. Lc 24, 13-35), que foram gradualmente conduzidos à compreensão do mistério mediante a sua companhia, o diálogo com eles, o fazer vir ao de cima com delicadeza o que havia no coração deles.

 

Em última análise, a verdade que é Cristo constitui a resposta plena e autêntica àquele desejo humano de relação, comunhão e sentido que sobressai inclusivamente na participação maciça nos vários social network. Os crentes, testemunhando as suas convicções mais profundas, prestam uma preciosa contribuição para que a web não se torne um instrumento que reduza as pessoas a categorias, que procure manipulá-las emotivamente ou que permita aos poderosos monopolizar a opinião alheia. Pelo contrário, os crentes encorajam todos a manterem vivas as eternas questões do homem, que testemunham o seu desejo de transcendência e o anseio por formas de vida autêntica, digna de ser vivida. Precisamente esta tensão espiritual própria do ser humano é que está por detrás da nossa sede de verdade e comunhão e nos estimula a comunicar com integridade e honestidade.

 

Convido sobretudo os jovens a fazerem bom uso da sua presença no areópago digital. Renovo-lhes o convite para o encontro comigo na próxima Jornada Mundial da Juventude em Madrid, cuja preparação muito deve às vantagens das novas tecnologias. Para os agentes da comunicação, invoco de Deus, por intercessão do Patrono São Francisco de Sales, a capacidade de sempre desempenharem o seu trabalho com grande consciência e escrupulosa profissionalidade, enquanto a todos envio a minha Bênção Apostólica.

 

Vaticano, Festa de São Francisco de Sales, 24 de Janeiro de 2011.

 

BENEDICTUS PP. XVI

 

(Tradução oficial do Vaticano)

publicado por dioceseguardacsociais às 10:53

Semana de oração pela unidade dos cristãos

13.01.11

 De 18 a 25 de Janeiro, a Igreja celebra a Semana de Oração pela Unidade dos Cristãos. Sobre este tema, em nota enviada ao Jornal A Guarda, D. Manuel Felício, Bispo da Guarda, escreve:

«Vamos celebrar, mais uma vez, a Semana de Oração pela Unidade dos Cristãos, de 18 a 25 do corrente mês de Janeiro.

Jesus pediu ao Pai a unidade entre todos os seus discípulos – “Que todos sejam um, ó Pai, como nós somos um”. Esta oração de Jesus Cristo ainda não está integralmente cumprida, por haver divisão entre os cristãos. Desde há sensivelmente um século que as diferentes comunidades cristãs, sentindo a dor da divisão e a urgente responsabilidade de percorrer os caminhos da unidade desejada por Cristo celebram anualmente a Semana de Oração pela unidade dos cristãos.

Tal como todos os anos acontece, também este ano está publicado um pequeno livro para apoiar iniciativas que devem ser levadas a cabo nesta Semana da Unidade. O tema da Semana é sugerido pelos Actos dos Apóstolos, quando apresentam o modelo de vida da comunidade cristã nascente – “Unidos no ensino dos apóstolos, na comunhão fraterna, na fracção do pão e nas orações”.

Este livro está à venda na Veritas (Guarda) e na Paulus (Covilhã) e pode ajudar muito as nossas comunidades a valorizarem nas suas celebrações esta Semana da Unidade.

Que esta grande preocupação da Igreja Universal seja também partilhada nas nossas comunidades cristãs ao logo da Semana que vai de 18 a 25 do corrente mês de Janeiro.»

publicado por dioceseguardacsociais às 16:57

Encontros de formação para o Clero

13.01.11

A partir de 19 de Janeiro, terão lugar os seguintes encontros de formação para os padres da Guarda: 19 de Janeiro, quarta-feira – Zona Sul, no Seminário do Fundão; 20 de Janeiro, quinta-feira – Zona Centro, no Seminário Maior da Guarda; 26 de Janeiro, quarta-feira – Zona Norte, no Centro Pastoral de Pinhel; 27 de Janeiro, quinta-feira – Zona Oeste, na Casa Rainha do Mundo (Gouveia).

As reuniões começam às 10.00 horas, com a oração de  Hora Intermédia e prolongam-se até ao almoço, havendo, a seguir encontros por arciprestado. A formação tem por base o livro do Padre José Manuel Martins de Almeida, intitulado “Quando for grande quero ser sacerdote; seduzidos por Cristo – testemunhas da sua Ressurreição”.  Este livro foi apresentado, no dia 17 de Dezembro e encontra-se à venda na “Véritas”.

publicado por dioceseguardacsociais às 16:56

Agenda Episcopal de D. Manuel Felício

13.01.11

 De 16 a 22 de Janeiro, D. Manuel Felício, Bispo da Guarda, participa nas seguintes actividades:

Dia 16, Domingo: 15.00 horas – Encontro com os cooperadores pastorais de cada Pároco do Arciprestado de Pinhel, para avaliação das Visitas Pastorais há pouco concluídas e definir linhas de orientação comuns nelas inspiradas.

Dia 19: 10.00 horas – No Seminário do Fundão, encontro de formação do Clero – Zona Pastoral Sul.

Dia 20: 10.00 horas – No Seminário da Guarda, encontro de formação do Clero – Zona Pastoral Centro.

Dia 21: 17.00 horas – Em Coimbra para encontro ecuménico nacional, seguindo-se, às 21.00 horas, celebração ecuménica nacional, na Igreja de Nossa Senhora de Lurdes.

publicado por dioceseguardacsociais às 16:55

Paço Episcopal pronto em Janeiro

05.01.11

Entrega definitiva da obra já tem data marcada

 

Está marcada para 21 de Janeiro a entrega definitiva da obra do Paço Episcopal. A data é avançada por Bispo da Guarda em carta enviada aos padres da diocese. 

No documento, D. Manuel Felício adianta que “dentro das limitações que naturalmente a crise impõe, estamos contentes com a colaboração que nos tem vindo em donativos”. Recorde-se que a Diocese suporta, na totalidade, o custo das obras do edifício do Paço Episcopal, orçadas em mais de 900 mil euros (com aquecimento incluído).

Iniciadas em Junho de 2009 e com um prazo de execução de um ano, as obras prolongaram-se mais alguns meses do que o previsto, devendo ficar concluídas nas primeiras semanas de 2011.

 O Paço Episcopal ocupa uma casa solarenga do século XVIII, construída nos limites da cidade de então, doada pelos Condes de S. João de Areias à Diocese da Guarda. Já foi Colégio (desde o final de oitocentos até 1910), Seminário e Casa Episcopal, após a apropriação pelo Estado do Paço Episcopal e Seminário (construção seiscentista).

Depois de um século de uso sem grandes transformações, está agora numa intervenção de fundo para Cúria Diocesana (zona de atendimento, gabinetes, salão e salas de reuniões, arquivo vivo, casa de máquinas, garagens e arrumos); Paço Episcopal com capela, salas de recepção e audiências, Secretaria Episcopal e área de habitação; casa da comunidade religiosa de apoio ao Bispo Diocesano; Biblioteca e arquivos.

Como se trata de um edifício do século XVIII, no âmbito da intervenção é assegurada a sua traça arquitectónica original.

“A ideia base subjacente a todo o projecto foi sempre de manter as características arquitectónicas do edifício”, disse o autor do projecto, o arquitecto Joaquim Carreira.

Explicou que o interior foi adaptado “à legislação actual”, promovendo “a melhoria das condições de habitabilidade”.

 

Devido à realização das obras, a residência do Bispo e a Cúria Diocesana têm funcionado no antigo Colégio de S. José.

publicado por dioceseguardacsociais às 12:43

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