Homilia de D. Manuel Felício, Bispo da Guarda, no dia 28 de Junho, na Sé da Guarda, na ordenação de dois novos sacerdotes

 

1.

Damos abundantes graças a Deus, porque o Senhor novamente nos reúne nesta nossa Catedral para nos oferecer o presente de dois novos sacerdotes e fortalecer na caminhada para o ministério sacerdotal mais três candidatos que hoje serão instituídos no Ministério de Acólito.

Damos-lhe graças também porque hoje nos dá a oportunidade de encerrarmos, nesta mesma celebração, o Ano Paulino, que foi uma bênção do Céu para a Igreja Universal e também para a nossa Diocese no conjunto das suas comunidades de Fé. E por isso a celebração de hoje é também Jubilar, com oportunidade de ganhar a respectiva indulgência.

A nossa acção de graças é também pelo Ano Sacerdotal que, por expressa vontade do Santo Padre Bento XVI, inaugurámos há pouco mais de uma semana. Celebrar a Ordenação de dois novos padres em Ano Sacerdotal é também uma coincidência feliz que desejamos nesta hora valorizar. No ano sacerdotal que estamos a viver queremos em primeiro lugar escutar o apelo do Papa a nós, que já fomos ordenados, para que aprofundemos a fidelidade ao dom recebido, diante da própria fidelidade de Cristo à missão que o Pai lhe confiou; queremos escutar o apelo que ele dirige a todo o Povo de Deus para redescobrir à luz da Fé onde está o essencial do ministério ordenado na vida da Igreja. De facto a Igreja nasce de Cristo continuamente pela Eucaristia. E o Padre que é portador do Ministério Ordenado lembra-lhe constantemente essa dependência amorosa e em nome do mesmo Cristo continua a congregá-la. A conduzi-la em representação do único Bom Pastor e a distribuir-lhe os dons de Deus.

Queremos continuar a escutar o apelo do mesmo Papa dirigido a todo o Povo de Deus quando convida a situar bem o Ministério Ordenado na vida da Igreja e no conjunto dos muitos outros ministérios e serviços que o Espírito do Senhor constantemente suscita na vida da mesma Igreja. Queremos finalmente escutar o seu apelo quando nos manda reforçar o empenho de todos nós, sacerdotes, religiosos e religiosas, leigos, comunidades cristãs em geral, na promoção das vocações sacerdotais. Precisamos de saber promover uma nova cultura vocacional na vida da Igreja e no concreto das nossas comunidades cristãs. Estes são os principais apelos que o Papa nos dirige no início do Ano Sacerdotal que estamos a viver. A eles queremos responder com a determinação da Fé e com o profundo desejo de todos sermos mais verdadeiros discípulos de Cristo.

 

2.

É  para o coração da Fé que, em primeiro lugar nos orienta a Palavra de Deus proclamada na Solenidade dos Apóstolos S. Pedro e S. Paulo, que já estamos a viver. A passagem do Evangelho de S. Mateus que acabámos de escutar tem como seu núcleo central a profissão da Fé de Pedro. Profissão de Fé que ele faz em nome do grupo dos discípulos. De facto Jesus pergunta a todos os que estavam no grupo, mas só Pedro é que responde. Esta profissão de Fé é em si mesma dom de Deus e não apenas resultado do exercício das capacidades humanas de Pedro. Por isso ele é proclamado bem-aventurado ou seja agraciado com o dom de Deus que o levou a professar a Fé no Mestre Jesus Cristo. “Bem aventurado és Simão, Filho de Jonas porque não foram, a carne e o sangue que to revelaram, mas sim meu Pai que está nos Céus. Esta continua a ser para todos nós a verdade da Fé, como foi para Pedro e os outros membros do seu grupo. Todavia, sendo do alto, a Fé não dispensa o empenho da pessoa, envolvendo todas as suas capacidades na procura de Deus e das Suas respostas. Também o grupo dos discípulos de que hoje nos fala o Evangelho se interrogava há muito sobre a pessoa de Jesus que eles seguiam e estimavam. E até conheciam as respostas mais comuns que circulavam na opinião pública sobre quem seria Jesus. Essa pedagogia da Fé precisamos nós também de continuar a cultivá-la no conjunto das nossas comunidades cristãs que precisamos de transformar cada vez mais em escolas da Fé. Escolas que pretendem transmitir uma mensagem; pretendem transformar o coração das pessoas, ajudando-as a tomar boas decisões; escolas que hão-de acompanhar as mesmas pessoas nas boas práticas. Nestas escolas só temos um mestre que é Cristo e os catequistas são os seus mais directos colaboradores; alunos são todos os que aceitaram ou aceitam o convite para serem discípulos, a começar pelos já baptizados; o programa é o mesmo Cristo e a Sua mensagem e não faltam os textos escritos que são a referência obrigatória para conhecer e viver esta mensagem. Esses são a Bíblia e o Catecismo.

Depois da profissão da Fé, Jesus entrega a Pedro a responsabilidade concreta de garantir a apostolicidade da Igreja e o seu governo. Sabemos que esta responsabilidade foi partilhada por todo o Colégio apostólico e hoje é continuada no Colégio dos Bispos e partilhada pelos seus colaboradores mais directos que são os sacerdotes ordenados no 2.º grau do Sacramento da Ordem.

 

3.

É esta colaboração que a partir de hoje vos é pedida a vós Hugo e Celso que vos apresentais para serdes recebidos na Ordem dos Presbíteros através do 2.º grau do Sacramento da Ordem.

Pensastes de certo muito e bem neste dia e nas novas responsabilidades que ides assumir, mas também no imenso dom para toda a Igreja que vai passar pelas vossas vidas.

Por isso não esquecereis as promessas que dentro de momentos ides fazer diante de mim, diante dos sacerdotes presentes e por eles diante do presbitério que vos vai acolher, assim como diante do Povo de Deus aqui reunido. E de entre as promessas que ides fazer, sublinho a união a Cristo, Sumo Sacerdote que por nós se ofereceu ao Pai como vítima Santa. O que nos é pedido a nós sacerdotes e que vós hoje publicamente aceitais realizar é que com Ele nos consagremos a Deus para salvação dos homens.

Damos abundantes graças a Deus pelas vossas disposições. Mas não posso deixar de vos lembrar, nesta hora de abundante regozijo e mesmo júbilo para vós, vossas famílias, comunidades paroquiais de origem e Seminário que vos acompanhou até este momento; digo não posso deixar de vos lembrar que levamos este maravilhoso tesouro em vasos de barro. Por isso a única garantia da nossa fidelidade é a união a Jesus Cristo, a determinação de sermos sempre Padres segundo o coração de Cristo. E não esquecereis que a nossa saúde global, com implicações nas próprias energias físicas tem a sua fonte nesta relação viva e vital com Cristo. Por isso a nossa espiritualidade sacerdotal tem de ser o eixo e o motor de toda a nossa actividade pastoral que, sendo variada, tem de receber a sua unidade e coesão deste contínuo relacionamento com Cristo. Está, de facto, aqui o verdadeiro segredo do êxito de todo o nosso trabalho.

Desejo dizer-vos nesta hora de grande alegria para vós, para a Igreja e para a nossa Diocese que nas minhas frequentes deslocações pelas paróquias tenho recebido testemunhos, mesmo colectivos, de grande devoção pelos sacerdotes e pelo Ministério Sacerdotal. Este é, sem dúvida um bem que desejo convosco agradecer ao Senhor, mas também uma responsabilidade para nós. Nesta responsabilidade vejo primeiro o apelo de Jesus Cristo a vivermos com Ele a entrega generosa pela edificação da Igreja em cada uma das comunidades que nos são confiadas; mas vejo também a obrigação de ajudarmos o Povo de Deus a distinguir o que é essencial na vida e acção dos sacerdotes e o contributo que também podem e devem dar os muitos outros ministérios e serviços eclesiais que a força do Espírito Santo, por graça de Deus vai suscitando nas nossas comunidades. Recomendo-vos nesta hora, fazendo-me eco do convite do Santo Padre neste ano Sacerdotal, o especial empenho, com todos os fiéis que vos forem especialmente confiados, para promover em toda a nossa Diocese uma verdadeira cultura vocacional. No encerramento do ano Paulino, desejo também convosco sentir-me especialmente interpelado pela consciência da missão cumprida que revelam as palavras do Apóstolo Paulo no início da II Carta a Timóteo que hoje escutámos: “Combati o bom combate, terminei a minha carreira, guardei a Fé”.

Sabemos que o cumprimento desta missão só é possível na força da oração; da nossa oração pessoal, mas também da oração de todo o Povo de Deus por nós, para que a nossa fidelidade ao dom recebido cresça todos os dias. Por isso recordo convosco que a libertação de Pedro, pela mão do anjo do Senhor, se deu, porque, como diz o texto dos actos Apóstolos, “enquanto Pedro era guardado na prisão, a Igreja orava instantemente a Deus por ele”.

Estimados candidatos à instituição no ministério de Acólito, as palavras que acabo de dirigir àqueles que dentro de momentos passaremos a chamar Pe. Hugo e Pe. Celso são também para vós. E são para vós na medida em que subis hoje mais um degrau na caminhada para a meta que é também o ministério ordenado. Que Deus vos abençoe e ajude quantos estão directa ou indirectamente implicados nesta vossa caminhada, a começar pelo Seminário; a contribuir para que o vosso discernimento seja completo e verdadeiramente sério. O Povo de Deus espera pelo vosso serviço sacerdotal e reza por vós para que esse serviço seja o próprio Cristo a passar e a dar vida ao seu Povo.

Termino renovado a nossa acção de graças ao Senhor, porque em acontecimentos como aqueles que estamos a viver, envolvendo a ordenação sacerdotal de dois Presbíteros, nos transmite a mensagem clara de que está connosco e com todo o Seu Povo. Esta é a razão da nossa esperança.

 

Louvado seja Nosso Senhor Jesus Cristo

 

publicado por dioceseguardacsociais às 18:30