Jornadas de Formação do Clero da Diocese 

 

“Temos de ter a coragem de dar passos até ao desconhecido, com a criatividade que as circunstâncias impõem e uma grande confiança de que Deus não nos abandona e está connosco” referiu o Bispo da Guarda, no final do primeiro dia das Jornadas de Formação do Clero, em que participaram cerca de uma centena de padres.

Depois de dizer que “há alguns receios de nós embarcarmos em caminhos não andados, de vermos fugir o terreno debaixo dos pés, de deixarmos passar algumas seguranças que tínhamos”, D. Manuel Felício mostrou confiança de que a Diocese saberá “encontrar os novos caminhos que se impõem para a nova Evangelização, porque parados não podemos ficar”. E acrescentou: “este é o grande desafio de nós não ficarmos parados mas caminharmos na confiança de que não estamos sozinhos”.

O Bispo da Guarda foi mais longe ao afirmar que “o diálogo com a fé e com a cultura passa por novos caminhos”. E explicou: “a distracção em relação a Deus, que nós encontramos na cultura de hoje, na sociedade, é mais um desafio ao nosso caminhar. Não quer dizer que as portas estejam já todas abertas, mas há novas oportunidades para a nova Evangelização”.

O Bispo da Guarda adiantou ainda que “vivemos numa sociedade de medo, de insegurança, onde as pessoas se atrapalham com o que acontece no dia-a-dia”.

 

Numa tarde preenchida com o tema “Dinamizadores da Missão Evangelizadora”, o Padre António Gomes Dias, Provincial dos Redentoristas, disse que “todos os padres devem ter um coração e uma mentalidade missionária, estar abertos às necessidades da Igreja e do mundo, atentos aos mais distantes e, sobretudo, aos grupos não cristãos do próprio meio”. A diminuição do número de crentes; o envelhecimento dos agentes pastorais mais activos; o desentendimento e desarmonia nas comunidades cristãs; a perda de qualidade; a banalização moderna de tudo o que é sagrado e religioso; a reivindicação de maior responsabilidade na tomada de decisões, foram alguns dos medos apontados e que preocupam as comunidades locais.

Em termos globais, o Provincial dos Redentoristas falou do “medo da crise de Deus na Europa; do medo de sermos os últimos cristãos dada a dificuldade de comunicarmos as nossas experiências às novas gerações; do medo da marginalização da Igreja, que entre nós tem acontecido paulatinamente e sem darmos conta; do medo de não sermos autênticos, de não sermos criativos”. Perante esta realidade, o Padre António Dias adiantou que “na acção pastoral temos de procurar encontrar caminhos”. Nesse sentido referiu que é preciso “ter claras algumas raízes; aceitar a secularização, não o secularismo; não absolutizar o que não é absoluto; ver como respondemos; usar bem os instrumentos que temos à nossa disposição”.

 

No balanço do primeiro dia das Jornadas, D. Manuel Felício considerou que “elas são muito importantes não só pelos novos conteúdos que nos trazem, mas principalmente pelo encontro entre nós, para que no diálogo e na abertura às realidades novas, possamos encontrar os novos caminhos”.

 

As Jornadas continuam amanhã, 4 de Fevereiro, com a análise do Simpósio Nacional do Clero, nomeadamente as propostas feitas pelo Beneditino alemão, Padre Anselm Grün, numa abordagem feita pelo Padre José Brito, da diocese da Guarda.

publicado por dioceseguardacsociais às 18:11